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A insegurança nossa de cada dia II. Artigo por Renato Bessa.

A insegurança nossa de cada dia II. Artigo por Renato Bessa.

 No ano passado levantamos em artigo a questão da insegurança vivida pelos trabalhadores da Segurança Pública.

 

O Estado do Amazonas investiu R$ 1.100 bilhão em segurança pública em 2013, aponta anuário da segurança pública 2013/14.

 

Investimento em segurança pública é uma das principais reivindicações da população brasileira.

 

O estado do Amazonas investiu R$ 1.110 bilhão em segurança pública no ano de 2013, o que significou um incremento de 7,9% aos R$ 1.036 bilhão investidos em 2012.

 

Em 2013 foram destacados R$ 164.042.297,56 para policiamento; R$ 14.098.254,69 para defesa civil; e R$ 370.000,00 para informação e inteligência. Os recursos são destacados para despesas como folha de pagamento, compra de equipamentos como armas e viaturas, investimento em tecnologia, construção e reformas de delegacias e postos policiais, entre outros.

 

O governo do Estado gastou 7,8% do seu orçamento anual com segurança pública, enquanto em 2012 o percentual foi de 8,7%.Quanto ao quesito gasto per capita, o Amazonas desembolsou R$ 290,33 por cidadão em 2013 e R$ 288,66 em 2012. Só os homicídios custaram aos cofres públicos R$ 1.110.056.857,12 em 2013, quando a taxa de mortes foi 23,8 por 100 mil habitantes. Maior que a taxa de homicídios de São Paulo (10,8) e Minas Gerais (20,7).

 

Os números do mapa da violência terminam no bolso do contribuinte. O custo social da violência no Brasil foi estimado em 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2013.

As informações foram fornecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN e integram o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

 

Percebe-se que os números, os sempre justificados números, apontam para um gasto considerável e assinalam um investimento que preenche olhos e ouvidos. Mas números nem sempre comprovam a realidade. Nós que somos cidadãos e trabalhadores da Segurança Pública estamos diariamente expostos ao descaso, à falta de investimentos reais, de equipamentos e instalações adequadas e satisfatórias ao serviço, de salários e gratificações que compensem nosso esforço, e, principalmente, estamos sempre na corda bamba da insegurança.

 

Pesquisando sobre quem dará segurança aos que dão segurança, encontramos o seguinte: O problema essencial foi proposto por Platão em A República, sua obra sobre governo e moralidade. A sociedade perfeita como descrita por Sócrates, o personagem principal da obra (veja Diálogo socrático), depende de trabalhadores, escravos e comerciantes. A classe guardiã para proteger a cidade.

 

 A pergunta é feita a Sócrates, "Quem guardará os guardiões?" ou, "Quem irá nos proteger dos protetores?" a resposta de Platão para esta pergunta é que os guardiões irão se proteger deles mesmos. Nós devemos contar a eles uma "mentira carinhosa." A mentira carinhosa lhes dirá que eles são melhores do que os que eles servem e é então, responsabilidades deles guardar e proteger aqueles que são menos do que eles mesmos.

 

Nós instigaremos neles um desgosto por poder ou privilégio; eles irão mandar porque eles acham ser correto, não porque eles desejam e nós continuaremos obedecendo e cumprindo nosso oficio sem ter a certeza de quem é  que nos protege, principalmente agora que  entrou em vigor a lei que impõe o uso de armas não-letais à POLICIA, e mantem o ‘direito sagrado’ dos infratores usarem armas cada vez mais poderosas.

 

No ano passado, tivemos duas lamentáveis perdas nos quadros da Policia Civil do Amazonas e uma em especial nos quadros da Policia Militar. Nosso Delegado Oscar Cardoso foi fuzilado por monstros ligados a um traficante de peso e uma facção criminosa, um sargento da PM foi alvejado pelas costas por um verme assaltante, e um Investigador de Policia, nosso companheiro Masulo foi assassinado em um assalto. Isso só para exemplificar o fatídico ano de 2014.

 

Neste ano de 2015, a ousadia dos vermes não para de crescer. O episodio ocorrido no ultimo dia 11 no município de Novo Airão, interior do Amazonas, onde um Delegado e um Investigador foram ameaçados e quase vitimados por um elemento que aterrorizava a vizinhança com um facão e que reagiu a abordagem policial, obrigou o Delegado a reagir, e na tensão do momento atingir o infrator levando-o a óbito. Em seguida vem a opinião pública movida pela emoção que acusa os Policiais de abuso. Os mesmos Policiais que zelam por sua segurança e arriscam suas vidas para tanto.

 

A pergunta que não cala é a mesma há muito tempo. QUEM GARANTE A SEGURANÇA DE QUEM GARANTE A SEGURANÇA?

 

Vivemos em constante clima de guerra. Embora muitos não compreendam, a atividade policial é um dos piores trabalhos exercidos e ainda temos que agradar a opinião daqueles que tiram proveito da miséria e a criminalidade que assola nosso país.

 

Estive essa semana na COBRAPOL e no Ministério da Justiça e um dos temas-base das reuniões foi a violência sofrida pelos Policiais Civis e Militares em todas as instancias. Também estamos convocando toda a classe policial para o ato nacional unificado no próximo dia 25, em protesto contra a violência sofrida pelos trabalhadores policiais em todo o Brasil.

 

Por fim, volto a questionar. Quem garante a segurança de quem garante a segurança?

 

 

“Será verdade, será que não, nada do que eu posso falar. E tudo isso pra sua proteção nada do que eu posso falar”.  (Plebe Rude)

 

 

 

O autor é Bacharel em Direito, Bacharel em Educação Física, Tesoureiro da COBRAPOL e Secretário Geral do SINPOL-AM.

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