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A Policia prende a justiça solta. Artigo por Odirlei Araujo.

A Policia prende a justiça solta. Artigo por Odirlei Araujo.

 A polícia prende e a Justiça solta. Esta é, sem dúvida, a conclusão de uma parcela significativa da sociedade diante dos últimos crimes acontecidos no Estado, principalmente em Manaus.

Além da brutalidade dos casos, o que mais chama atenção é que significativa parcela dos delitos é praticada por presos beneficiados pelo Mutirão Carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que coloca nas ruas centenas reeducandos entre os dias ditos de família. Isso não significa que os culpados por esses fatos são os juízes, desembargadores, promotores e procuradores de Justiça. A grande vilã do problema acaba sendo a legislação penal brasileira, que, como todos sabem, há tempo deixou de ter apenas “brechas” para ter janelas totalmente escancaradas.

 

Em vez de colocar a vida em primeiro lugar, as leis em vigor no país beneficiam bem mais os criminosos que os cidadãos de bem. Prova disso é que uma pessoa presa por tráfico de drogas, por exemplo, não passa sequer a metade da pena prevista de detenção se tiver bom comportamento ou, simplesmente, bons advogados.

Por outro lado, um paradoxo vem nos atormentando nos últimos dias. Um colega Policial Civil do Amazonas esteve envolvido em uma confusão no Estado do Espírito Santo, aonde o mesmo alega, foi agredido e reagiu a um possível linchamento no interior da boate onde se encontrava e em reação sacou de sua arma e disparou três tiros para o chão. Em conseqüência do fato, o mesmo      foi acusado de tentativa de homicídio, o que não procede, uma vez que apesar de os estilhaços de projétil terem atingido algumas pessoas, não houve feridos graves e nenhuma acusação ou queixa por parte de nenhum cidadão.

Nosso companheiro continua detido e a pergunta que não cala é: POR QUÊ? Levando em conta que em Manaus uma quadrilha foi presa no dia 27 de dezembro e em sete dias foi solta por pagar a fiança de R$ 7.000,00 (sete mil Reais). Liliane Barros da Costa, Silvio Andrade da Costa e Rogério Pereira Bezerra ganharam liberdade por meio de alvará de soltura expedido pelo juiz plantonista LUIS CARLOS VALOIS COELHO. O magistrado justificou a sua decisão, que teve parecer contrário do Ministério Público Estadual (MPE), alegando que os suspeitos são réus primários e têm endereço no distrito da culpa (Manaus) e concedeu a liberdade provisória depois de ter arbitrado fiança no valor de R$ 7mil.

Cássio não é réu primário, não tem endereço fixo, não é funcionário público, não é Policial Civil? Por acaso foi flagranteado cometendo algum delito inafiançável?

Inquieta-nos o fato de que a justiça funciona nos diferentes lugares de acordo com as interpretações dos senhores operadores do DIREITO, estes magníficos detentores do poder de decidir sobre o  certo e o errado, sobre a liberdade e a punição, sobre o crime e o castigo. Enquanto no Amazonas uma quadrilha  presa com uma quantidade de drogas avaliada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de Reais) é posta em liberdade por alegações de seu “defensor-mor” Excelentíssimo senhor JUIZ PLANTONISTA, no Estado do Espírito Santo criam-se terríveis dificuldades e barreiras jurídicas para que nosso companheiro seja liberado.

Nós do SINPOL-AM e integrantes da policia Civil do Amazonas estamos indignados e atentos aos fatos. Nosso presidente Moacir Maia, percorre como um peregrino a delegacia onde está detido nosso companheiro, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, escritórios jurídicos e o Tribunal de “Justiça” daquele Estado, até o momento sem conseguir falar com a figura do plantonista e resolver a situação de nosso companheiro. Mas, persistente e firme em seu propósito, não recuará de sua missão de trazer de volta o nosso estimado Cássio.

Dois pesos e duas medidas, cada cabeça é uma sentença, cada juiz é um senhor do destino alheio, cada um tem seu valor e seu direito reconhecido de acordo com suas finanças, considerando que o dinheiro é a coisa mais subjetiva que existe, ou seja, não importa de onde veio e nem como veio, o importante é que venha. Essa é a triste realidade de algo que somente o Juiz Salomão soube fazer valer – JUSTIÇA. No mais, cada um faz a sua de acordo com seus interesses e sem nenhuma isenção.

 

Enfim, é hora de a sociedade cobrar dos políticos responsáveis pela formulação das leis, mais rigor e menos benefícios para as pessoas de má índole. Do contrário, todos estarão sujeitos a crimes bárbaros e atos de injustiça em uma freqüência que infelizmente já se tornou diária.

 

 

“E todo dia a gente inventa e fantasia, A gente tenta todo dia, Feitos cegos, Egos em agonia” (Engenheiros do Havaí)

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Policia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente  do SINPOL-AM.

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