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As eleições passaram. Ficaram as dividas. Artigo. Por Odirlei Araujo

As eleições passaram. Ficaram as dividas. Artigo. Por Odirlei Araujo

Você sabia que a dívida pública do Brasil está chegando aos três trilhões. Um valor bem absurdo se comparado ao nosso PIB de R$ 1,204 trilhão de Reais no ano de (US$ 540 bilhões) 2014. Para piorar a nossa situação, esse montante só vem crescendo, pois o que pagamos da dívida todos os anos não é suficiente para pagar os juros.

 

E todo esse dinheiro destinado ao pagamento da dívida vai para onde? As Instituições financeiras, sendo os bancos na sua maioria, detêm 31% da dívida pública brasileira. A situação é tão ruim que o pagamento dos ‘juros’ da dívida levou aproximadamente 44% do orçamento da união no ano de 2014. Enquanto o percentual destinado a saúde ficou acerca dos 4.17% e a educação com 3.34%, ambos somados chegam aos 10%.

 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas ficou em torno de R$ 16,2 bilhões no segundo trimestre deste ano, um crescimento nominal de 8,7% em relação ao primeiro trimestre de 2011 e de 12,5% na comparação com o mesmo período de 2010.

 

Portanto diante desses números percebemos que o dinheiro pago através dos impostos pelo trabalhador, ao invés de estarem sendo aplicados em melhorias sociais, estão sendo destinados para o enriquecimento de instituições bilionárias, que atuam como sanguessugas do dinheiro público.

 

Por que o legislativo permitiu chegarmos a situações absurdas como vimos com os números da dívida pública brasileira? Para entendermos isso, precisamos tocar em um ponto que para boa parte dos eleitores passa despercebido e que o Congresso Nacional treme só de falar o nome: Quem financia investe nas campanhas eleitorais do Brasil? Segundo o site Consultor Jurídico, durante as eleições de 2014, 95% desses investimentos vieram de empresas privadas, sendo que o gasto total durante as eleições deste ano foi tão absurdo que alcançou a cifra bilionária de R$ 4.8 bilhões.

 

 Para termos uma noção do aumento desses investimentos privados em relação a eleições passadas, em 2002 os gastos com as campanhas eleitorais foram estimados em R$ 798 milhões. Indo mais além se compararmos com os gastos realizados em outros países, a frança que adota o sistema de financiamento público desde 1995, no ano de 2012 durante as eleições presidenciais gastou € 72 milhões de Euros.

 

Os parlamentares eleitos no Amazonas arrecadaram R$ 30,3 milhões durante a campanha eleitoral deste ano, segundo dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os gastos totais dos eleitos somam R$ 30,7 milhões.

 

Os oito deputados federais eleitos apresentaram receita de R$ 16 milhões.

 

Arthur Bisneto (PSDB) o responsável pela maior arrecadação, R$ 5,5 milhões, e gastos que totalizaram o mesmo valor.

 

Pauderney declarou ao TSE ter arrecadado R$ 2,018 milhões, mas as despesas da campanha do parlamentar totalizaram R$ 2,408 milhões, um déficit de R$ 390 mil.

Alfredo gastou R$ 2,8 milhões em sua campanha política e arrecadou o mesmo valor, segundo informação repassada ao TSE.

 

Silas Câmara (PSD) gastou R$ 1,052 milhão para conquistar mais um mandato na Câmara dos Deputados. 

 

Entre os Deputados Federais eleitos, a menor arrecadação e despesas foi de Átila Lins (PSD). Para conquistar os 89 mil votos que obteve neste ano, Átila Lins arrecadou R$ 707,5 mil e gastou 706,1 mil. 

 

Hissa Abrahão (PPS) informou à Justiça Eleitoral gastos de campanha no valor de R$ 1,553 milhão, sendo este mesmo valor arrecadado durante a campanha.

 

Os 24 deputados estaduais eleitos arrecadaram R$ 9,740 milhões e informaram à Justiça Eleitoral terem gastos de R$ 9,701 milhões.

 

Conceição Sampaio e Marcos Rota não tiveram suas somas divulgadas.

 

Será então que os empresários são bonzinhos e querem ajudar o povo? Ou querem ampliar o capital das suas empresas? Isso nos leva a perceber que atualmente no Brasil estamos vivendo na democracia do dinheiro, as empresas encontraram nas eleições uma ótima oportunidade de lucrar com o resultado das campanhas.

 

Bem com todo esse cenário caótico da situação financeira do nosso país, ainda nem tocamos na corrupção, que atua em cima dos outros 50% que restaram do orçamento da união. Notícias de desvio de verbas ficaram tão banais no nosso país que as palavras político e corrupto são utilizadas praticamente como sinônimos no país.

 

Portanto, com base nesses dados fica evidente que o cenário político, econômico do nosso país precisa sofrer grandes reformas. Em ordem de prioridade a começar por uma Reforma Política que tenha como prioridade o fim do financiamento-investimento privado das campanhas, em seguida precisamos de uma Reforma Tributária para uma coleta mais igualitária dos impostos, e por fim uma Reforma Judiciária visando endossar a fiscalização ao poder legislativo e executivo.

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Policia Civil, Presidente da AEPOL-AM e Vice–Presidente eleito do SINPOL-AM.

 

 

 

 

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