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Desejo Necessidade Vontade - A saúde do Policial Civil em debate. Artigo por Odirlei Araújo

Desejo Necessidade Vontade - A saúde do Policial Civil em debate. Artigo por Odirlei Araújo


A segurança pública vem sendo debatida em vários setores da sociedade brasileira em razão da sua importância no contexto da vida da sociedade civil organizada. Temas que dizem respeito à insegurança urbana, reclusão do cidadão em sua residência, medo latente de violência, crimes violentos, dentre outros, fazem parte do dia a dia da população.

 

O trabalho e a profissão têm um caráter positivo para a realização dos sujeitos, pois o ser humano, por meio de suas atividades, transforma e cria coisas, e ao fazê-lo, transforma-se e se recria. Porém, em sua abordagem filosófica, Marx chamava a atenção, também, para o fato de que, freqüentemente, o trabalho é fator de alienação. Assim, as dinâmicas específicas de produção e de relações laborais tanto podem produzir saúde, bem-estar físico e emocional como podem, também, ser marcadas por insatisfações, estresse, sofrimento e adoecimento.

 

O adoecimento físico e mental de Policiais Civis do Estado do Amazonas, segundo condições de trabalho e atividades profissionais é um tema recorrente e que desperta debates diários sobre a questão que nos acomete a praticamente todos. Constatamos sobrepeso e obesidade em especial entre os homens pela precária freqüência de atividades físicas voltadas para o lazer e a prevenção de doenças laborais na Polícia Civil. 

 

Dores no pescoço, nas costas ou na coluna, problemas de visão, dores de cabeça e enxaquecas são problemas encontrados com freqüência. Enfatizamos a necessidade de mudanças nas dimensões individual e profissional e nos aspectos institucionais referentes às condições e à organização do trabalho e dos serviços de saúde aos Policiais Civis do Amazonas. “Condição de saúde” diz respeito à articulação entre disposições biológicas e situações sociais, culturais e ambientais de existência. Na análise da interação entre saúde e trabalho, colocamos em jogo dois planos: o âmbito do processo de trabalho, com potencial de repercussão sobre a saúde, e o âmbito da subjetividade e da vivência profissional.

 

O sofrimento humano é inerente ao processo laboral, devendo-se compreender suas causas para modificá-lo e reorganizar o processo de trabalho, e os estudos que privilegiam a relação entre estresse e trabalho ressaltam a importância e centralidade do trabalho na vida das pessoas, num momento favorecendo a saúde e noutro, a doença.  

 

Para Dejours (1992), O descompasso entre a organização do trabalho prescrito e a organização do trabalho real favorece o surgimento de sofrimento mental, pois os trabalhadores são obrigados a transgredir a regra para realizarem a tarefa laboral. A rigidez organizacional impede a atividade criativa e aumenta as causas do sofrimento, podendo gerar intensa angústia. (DEJOURS, 1992). 

 

Com base nas informações acima expostas, nós da diretoria do SINPOL-AM temos discutido diariamente a situação da saúde laboral entre os profissionais da Policia Civil do Estado do Amazonas. Compreendemos que os diversos fatores cotidianos são causa para o adoecimento e alem desses, fatores de ordem econômica que vêm abalando nosso país e nosso Estado, reforçam ainda mais a situação desfavorável à saúde do trabalhador Policial Civil que a cada dia piora, e, ainda se considerando a diminuição constante nos quadros disponíveis para o serviço e de fato empregados frente à demanda diária, o que nem sempre ocorre, pois muitos ficam a disposição para tarefas alheias ao interesse do oficio.

 

Sabemos que não temos a solução imediata para os problemas apresentados e que atingem a todos, uns mais, outros menos e até bem menos. Diante da realidade, temos buscado amenizar a problemática oferecendo aos nossos Policiais Sindicalizados e seus dependentes, convênios com planos de saúde para que estes possam ter atendimento médico-hospitalar o mais próximo possível do digno e temos também provocado a Delegacia Geral e o Governo do Estado em busca de soluções para os males que afligem nossa categoria.

 

Tantos e quantos são os motivos e os problemas adquiridos com a lida diária que enfim a Delegacia Geral por meio do Departamento de Controle e Avaliação firmou parceria com o SINPOL-AM para realização da 10º Semana de Saúde da Policia Civil do Amazonas, para a qual, reforçamos o convite a todos os Policiais Civis a comparecerem e utilizarem o máximo dos serviços oferecidos, de 19 a 23/10/2015, com vários serviços oferecidos.

 

Por fim, penso e reafirmo que não são medidas paliativas que vão resolver o problema que enfrentamos e que se agiganta. Precisamos principalmente ser ouvidos e ter nossas opiniões e direitos respeitados. De outra forma, sem querer ser injusto ou ingrato, reitero que medidas paliativas não curam e nem previnem doenças, ainda mais laborais. É preciso que se criem programas permanentes de atenção a saúde do trabalhador Policial Civil e que se melhorem as condições de trabalho, incentivo e motivação para que tenhamos tanto saúde financeira como saúde física e mental.



 “A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade. A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade”.  (Titãs).



O autor é Economista, Escrivão de Polícia Civil e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

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