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Epidemia de crack atinge a maioria dos municípios do Amazonas afirma pesquisa

Epidemia de crack atinge a maioria  dos municípios do Amazonas afirma pesquisa

 Manaus - O crack já está presente em 83% dos municípios do Amazonas, onde a droga circula há pelo menos cinco anos segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), com base no Observatório do Crack, do governo federal.

O levantamento da CNM foi realizado em 47 dos 62 municípios amazonenses. Destes, 45 informaram ter problemas no enfrentamento do consumo de drogas. O uso do crack já é alto em nove cidades, médio em 15 e baixo em 13 localidades.

Os gestores municipais de 23 cidades do Estado identificaram na pesquisa 391 usuários de crack. Eles estão inseridos nas faixas etárias entre 20 e 29 anos, 15 e 19 anos e 30 e 39 anos, considerados os mais predominantes.

A pesquisa da CNM mostra que o crack avança como uma epidemia na Amazônia. O levantamento foi realizado em 4.430 das 5.565 cidades brasileiras e mostrou que a droga já é consumida em 91% delas, em média.

Em Rondônia,  94,4% dos 52 municípios já têm presença da droga. Em outros Estados amazônicos, o avanço do crack se faz presente em 86% dos 22 municípios acrianos, em 77% nos 16 municípios do Amapá, em 83% dos 62 municípios do Amazonas, em 88% dos 143 municípios do Pará, em 77,7% dos 15 municípios de Roraima e em 84% dos 139 municípios do Tocantins.

Combate e prevenção

O estudo mostra, ainda, que apesar da circulação e consumo da droga no Estado, poucos municípios contam com instituições que atuam na prevenção. A CNA aponta que apenas 18 cidades amazonenses contam com os Centros de Referência de Assistência Social (Cras); três possuem os Conselhos Municipais Antidrogas (Comads); nove afirmam possuir Centros de Referência Especializados da Assistência Social (Creas); um conta com o Creas Pop, voltado a população de rua; 13 possuem  Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e seis  o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf).

Para a presidente da Comissão Permanente para Prevenção, Capacitação e Controle do Uso e Abuso do Álcool e de outras drogas no Estado do Amazonas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alice Sobral, apesar do estudo relatar a presença de Caps em alguns municípios do Amazonas, é necessário saber se as unidades compõem a nomenclatura AD, destinada exclusivamente ao atendimento de usuários de álcool e drogas. ‘A determinação federal é que sejam criados Caps em Manaus, mesmo existindo mais de 2 milhões de habitantes não há nenhum. Todo ano nos é passado um prazo novo. Agora se em Manaus não há nenhum Caps AD, imagina no interior’, disse.

 

A falta de investimentos financeiros dos governos federal e estadual também é outro fator que contribui para as dificuldades no combate ao uso de drogas. “O repasse do governo federal para os Caps é de R$ 20 mil por mês, sendo que o gasto deles mensal é de R$ 32 mil, o resto sai do bolso do município”, disse.

Segundo a coordenadora da Pastoral da Sobriedade da Arquidiocese de Manaus, Maria da Fé da Silva, neste ano três usuários de crack já foram assistidos pela entidade, destes um adolescente de 16 anos. ‘O jovem de classe média encontrou no crack o consolo para o divórcio dos pais, sendo induzido por terceiros’, disse.

Silva afirma que o crack é geralmente a última instância a que chega um dependente. Os três que recorreram à pastoral já estavam em abstinência. ‘Atendemos uma moça aqui que misturava tiner com drogas para intensificar o efeito. Como consequência ela passava mal e tinha que ir para o hospital. Até em coma ela ficou. Outro jovem, em um ano já havia passado por todas as drogas’, disse.

A ocorrência de morte pelo uso do crack também já é uma realidade na capital, segundo a coordenadora. Neste ano, um jovem de 16 anos morreu afogado em um igarapé próximo à Avenida Brasil, na Compensa, zona oeste, após consumir crack

Segundo ela, a falta de apoio das instituições estaduais e municipais é um dos problemas que dificultam o trabalho de combate às drogas no Estado, apesar da intensificação do uso de entorpecentes fortes. ‘Tenho 12 anos de atuação e estou cansada de lutar sozinha. No próximo final de semana teremos inclusive um seminário para nos atualizar sobre os efeitos e riscos das drogas fortes como o crack, já que o cenário aqui está mudando’, afirmou.

 

Fronteiras

Outro estudo realizado pela CNM trata da presença do crack nos municípios de fronteira. No Amazonas, dos 62 municípios, 21 estão em área de fronteira, tendo sido pesquisados sete deste universo. Mesmo não divulgando dados por Estados ou municípios, a pesquisa aponta que, na Região Norte, 60% dos municípios têm problemas relacionados ao crack. Violência (12), tráfico de armas (5), exploração sexual (6), homicídio (10), furto (11), roubo (9) e aliciamento de crianças e adolescentes (4) estiveram entre os problemas citados.

Quanto a outros tipos de drogas, cerca de 90% das cidades indicaram enfrentar problemas relacionados a elas, além do crack. Apenas uma minoria (14%) afirmou não ter problemas com outras drogas.

 

O que é

O crack é uma mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos ( improvisados ou não). É mais barato que a cocaína, mas, como seu efeito dura muito pouco, acaba sendo usado em maiores quantidades, o que torna o vício muito caro, pois seu consumo passa a ser maior. Estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, o crack provoca dependência física e leva à morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

As pessoas que o experimentam sentem uma compulsão (desejo incontrolável) de usá-lo de novo, estabelecendo rapidamente uma dependência física, pois querem manter o organismo em ritmo acelerado. Como o crack é uma das drogas de mais altos poderes viciantes, a pessoa, só de experimentar, pode tornar-se um viciado. Ele não é, porém, uma das primeiras drogas que alguém experimenta.

 

Fonte: D24 am.

 

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