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Faixa vermelha - faixa azul e a coisa preta. Artigo por Odirlei Araujo

Faixa vermelha - faixa azul e a coisa preta. Artigo por Odirlei Araujo

 Nos últimos vinte anos a cidade de Manaus vem sofrendo alterações no transito que quase não tem resolvido e muitas vezes tem atrapalhado a vida de quem vive na capital.

 

Em 96 assume a prefeitura o apadrinhado politico de Amazonino, Alfredo Nascimento. Este acena com o projeto futurista do metrô de superfície. Ilude a população com a promessa de um transporte coletivo eficiente e que resolveria o problema do transporte e do transito em Manaus, e, como medida imediata contrata uma empresa construtora do Ceará, como se aqui não tivessem empresas e mão de obra, e esta de lá traz trabalhadores e depois os abandona na cidade. Não bastasse, compra cimento de Alagoas internado por uma loja de propriedade do irmão de seu vice-prefeito, sendo que aqui temos uma fábrica de cimento que gera empregos e impostos. Resultado: o EXTRESSO.

 

Alfredo é eleito em 2000 para o segundo mandato e em 2003 renuncia para assumir um ministério deixando Carijó como prefeito tampão. Carijó constrói o gueto maluco chamado T1 e piora a situação já caótica.

 

2005 assume Serafim, este um pouco mais sensato, implanta o sistema alternativo de micro-ônibus e cria os cartões da classe passa fácil a fim de que as pessoas usassem mais o transporte coletivo, mas isso não resolveu o problema e a crescente quantidade de carros particulares nas ruas deu continuidade ao sistema caótico.

 

Amazonino volta à cena em 2009, inaugura viadutos e cria a faixa vermelha com a intenção de facilitar o transito de pedestres, principalmente em avenidas de grande movimento. Resultado: muita gente sendo atropelada pela falta de respeito de motoristas inescrupulosos e o mais feio exemplo é a faixa com ciclovia na frente da UFAM; uma terrível brincadeira de mau gosto.

 

Agora vem o senhor Arthur com sua ciclovia de calçadas e a famigerada faixa azul. Sim a faixa azul, aquela que amplia repentinamente a fábrica de multas em experiência na Avenida Constantino Nery e que logo de cara tem deixado a população indignada e se perguntando, qual o objetivo disso?

 

Seria engraçado se não fosse algo irritante a posição do senhor Pedro ou (pedra) Carvalho, secretario de transportes, quando questionado por uma repórter de uma TV local sobre o tema, quase agrediu a moça e perguntou a ela se a mesma conhecia alguma cidade no mundo que não tivesse problema de transito. Arrogância, estupidez, desrespeito à repórter e a população de Manaus cometeu aquele senhor. Ele que sendo secretário deveria ao menos amenizar o mal-estar que seu chefe vem causando a nossa gente com sua administração sem rumo e ainda diz que “é uma medida que, após consolidada, fará muito bem ao sistema de transporte coletivo da cidade”.

 

Senhor prefeito, o senhor foi eleito pela maioria, mas tem responsabilidade por todos. O senhor foi escolhido como melhor opção, então faça valer os votos de confiança que recebeu de nossa população.

 

Para efeito de reflexão, apresento alguns pontos estudados e levantados sobre o problema do caos no transito e suas consequências para a cidade e para as pessoas.

 

De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), circulam pelas ruas e estradas do país cerca de 45 milhões de veículos, entre eles automóveis, caminhões, motocicletas, tratores e ônibus. O trânsito excessivo nas grandes cidades provoca consequências muito mais graves do que os atrasos e transtornos enfrentados diariamente pelos motoristas. Os congestionamentos custam muito dinheiro, prejudicam a saúde da população e atrapalham o crescimento do país. Portanto, resolver ou amenizar o problema não é apenas uma questão de conforto e bem estar, é também um importante incentivo ao desenvolvimento econômico e social.

 

A seguir, alguns exemplos do impacto negativo do trânsito:

Os congestionamentos limitam o direito de ir e vir, que está previsto na Constituição. Resultado: o manauense vive uma rotina cheia de restrições, pois o tráfego pelas ruas em várias partes do dia é quase inviável. Além de diminuir a velocidade média dos carros e ônibus, os congestionamentos retardam os serviços de emergência, como o deslocamento de ambulâncias e veículos do Corpo de Bombeiros.

 

Gastos com combustíveis: O aumento do consumo dos combustíveis provoca aumento de preços. Os combustíveis de origem fóssil são limitados na natureza. Os renováveis, como o álcool, precisam de insumos, área de plantio e sofrem com a entressafra. Além disso, são commodities, ou seja, têm preços cotados pelas bolsas de valores de acordo com a lei da oferta e procura.

 

Perdas no consumo: As horas perdidas nos engarrafamentos poderiam ser aproveitadas na própria produção, ou pelo menos no consumo de produtos e serviços, o que também ajudaria a esquentar a economia. Com mais tempo livre, o morador de uma grande cidade pode praticar atividade física em uma academia, ir ao cinema, visitar parques e museus, passear em shoppings.

 

As horas ociosas no trânsito diminuem ou impossibilitam a participação em atividades físicas, de lazer e de descanso. As pessoas que passam longas horas ao volante ou mesmo em ônibus lotados tendem a apresentar queixas como dores lombares, no pescoço e ombros, além de dores de cabeça, nas pernas e pés. O repouso também é prejudicado pela tensão dos congestionamentos: a pessoa dorme menos porque ficou mais tempo presa no trânsito ou porque tornou-se vítima de insônia.

 

Outro problema provocado pelos engarrafamentos é a exposição a um nível elevado de ruído. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), decibéis muito acima do tolerável ocupam o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro. Não se trata de simples incômodo: barulho mata. Só por infarto, são 210.000 vítimas por ano. Qualquer som acima dos 55 decibéis (o equivalente à voz humana em conversa baixa) é interpretado pelo organismo como uma agressão. Para preparar sua defesa, o cérebro ordena que as suprarrenais, glândulas localizadas acima dos rins, liberem boas doses de cortisol e adrenalina, os hormônios do stress. Além dos óbvios distúrbios auditivos, esse é o gatilho para uma série de reações:

 

Cérebro: a pressão intracraniana sobe e a cabeça dói. A concentração e a memória ficam prejudicadas pela ação dos hormônios do stress, que ainda levam a uma sensação de exaustão, gerando agressividade.

· Músculos: se contraem ao máximo e começam a liberar na corrente sangüínea uma série de substâncias inflamatórias.

· Pulmões: a respiração acelera e esses órgãos passam a funcionar a toda velocidade. Com o tempo, a sensação de cansaço é inevitável.

· Coração: começa a bater rapidamente e de maneira descompassada. Os vasos sanguíneos se contraem e a pressão arterial sobe. O risco de infarto e derrame cresce.

· Sistema digestivo: o estômago passa a fabricar suco gástrico além da conta, o que pode levar à gastrite e à úlcera. Já o intestino praticamente trava. O resultado é a prisão de ventre.

 

Além de produzir mais doentes, o que já é um problema gravíssimo, o trânsito também tem impacto nos custos de saúde que são repassados ao consumidor final. A lógica é a seguinte: mais doentes elevam a demanda por contratação de profissionais médicos, enfermeiros e demais especialistas; crescem os custos com os serviços e medicamentos; aumenta a ocupação de leitos hospitalares. Esse ciclo inflaciona os valores de seguros e planos de saúde, atingindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede particular. Prejudicadas pelas doenças, pessoas treinadas se afastam ou passam a produzir menos, gerando ainda mais custos.

 

Por essas outras razões é que questionamos o descaso e os rumos cegos que se têm dado a questão do transito e mobilidade urbana. Precisamos ser levados a sério. Chega de governos e governantes que investem altos valores de recursos públicos para andar em rastro de curupira. Precisamos de rumos que nos levem a horizontes reais, não podemos mais ser guiados por lideres sem senso de liderança, ou dessa forma nos tornaremos barcos sem leme: cedo ou tarde acabaremos de encontro às rochas.

 

 

“A carta que você me escreveu não dizia a verdade, você mentiu da mesma forma que os jornais falam da realidade” (Picassos Falsos)

 

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM

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