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Gestão participativa: da utopia à realidade. Artigo por Odirlei Araujo

Gestão participativa: da utopia à realidade. Artigo por Odirlei Araujo

  

É normal e aceitável que bons administradores idealizem utopias para promover o bem em sua forma de gerenciar. Contudo, utopias são inalcançáveis, e devem servir apenas como parâmetro de objetivo a ser perseguido, um norte para se chegar a algum lugar almejado.

 

Certos gestores vêem na sua utopia particular um dogma a ser aplicado de forma inquestionável, ela tem que ser realizada a qualquer custo! Ao pensar assim cometem grave erro. Por ser algo impossível de se alcançar, quando os resultados não são aqueles desejados, em meio à teimosia e cegueira, passam a criar inimigos reais e imaginários para poder colocar a culpa pelo insucesso.

 

Em uma guerra, a primeira a morrer é a Verdade. Então, se vendo em estado de guerra com seus supostos inimigos, mata-se a verdade. Parte-se para a aceitação do discurso de que os fins justificam os meios, se aceita passar por cima de valores, relativizando situações e circunstancias as quais não poderiam ser interpretadas senão pelo lado da moral e da ética. Com isso, o gestor fecha-se em círculos cada vez menores, passando a se distanciar  e até ignorar  potenciais qualidades de outros grupos ou pessoas que, de possíveis parceiros, passam a receber o conceito de “obstáculos”.

 

“Na utopia, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são totais. Exatamente o contrário do que sucede na vida real, na vida dos homens, permanentemente divididos entre valores rivais, incompatíveis, incomensuráveis”. (João Pereira Coutinho - Jornalista).

 

O pensamento utópico necessita de que as pessoas sejam uniformes. Isso não é a realidade. Pessoas são livres, possuem culturas e crenças diversas. Cada qual tem sua base de conhecimento. Nunca uma poderá ser igual à outra. É preciso aprender a conviver com os antagonismos de idéias e aproveitá-las a seu favor, não repudiá-las.

 

Um dirigente não deveria se utilizar de engodos ou justificativas para fazer parecer que atua em uma boa gestão. Errar também faz parte do processo de construção. Admitir o erro é mais difícil, mas deveria acontecer a cada falha cometida. Na contramão disso vem a morte da verdade, a justificativa demasiada, a propaganda enganosa, a procura por culpados.

 

Tenho medo de gestores que querem “promover o bem da classe” somente a partir do seu referencial de bondade, sem ouvir a vontade da outra parte. Fica parecendo que esse gestor é o detentor do monopólio das virtudes, que só ele sabe o que é bom para seus administrados. Fica parecendo que a classe não sabe fazer escolhas, que a classe não sabe o que é bom para si. Por que razão uma pessoa que é como eu, e que diferente de mim está ocupando cargo no governo, saberia melhor do que eu, o que é melhor para mim?

 

Esperamos com entidade representativa classista que nossos novos gestores sejam tão eficientes gestores quanto operacionais. Que sejam tão acessíveis e democratas quanto merecedores de suas novas funções. A classe dos trabalhadores da Policia Civil do Estado do Amazonas aguarda esperançosa que os novos administradores da Secretaria de Segurança e da Delegacia Geral correspondam as nossas expectativas, expectativas essas que passam por gestão democrática com a participação direta das entidades classistas nas discussões de propostas e tomadas de decisão, até as ações fins a que estamos todos destinados.

 

Há que se mostrar as coisas com clareza. Há que se compor acordos com grupos antagônicos, entender as diferenças, procurar o meio termo e compartilhar os espaços na gestão até mesmo com os que se acreditam serem os opositores.

 

É no debate que se encontram soluções para muitos dos problemas. É enfrentando resistências que se abre caminho para o crescimento e o fortalecimento.

 

O que se aplica ao macro também se aplica ao micro, portanto, fica como dica de exemplo a ser seguido para quem detém sob sua administração um estado, um município, ou até mesmo uma simples unidade administrativa integrante de um órgão estatal. Persigam uma utopia como meta em sua administração, façam um governo de composição, uma gestão participativa, e alcancem o sucesso.

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Policia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-presidente eleito do SINPOL-AM.

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