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Moacir de Andrade: do eternizador ao eterno. Homenagem do SINPOL-AM

Moacir de Andrade: do eternizador ao eterno. Homenagem do SINPOL-AM

 Ao tempo em que lamentamos a perda do Professor Moacir de Andrade, agradecemos por tudo o que ele fez pela nossa natureza, pela nossa Amazônia, pelo nosso Brasil que tão bem representou mundo afora.


Não perdemos o Professor Moacir de Andrade, não perdemos o gigante artista... ganhamos muito por tudo o que ele fez, por tudo o que nos deixou e pela eternidade de suas obras que tanto enaltecem nosso Estado, nossa região, nosso país, nosso continente e nossa natureza a quem ele tanto fez por defender durante sua vida profissional e passional que eram as artes, a arte que inspira a vida.


"As bandeiras de defesa ecológica ainda não se haviam desfraldado e já o artista amazonense, dotado de uma visão perpetuadora dos maiores paisagistas de todos os tempos, declarava e defendia e defendia em suas telas, pela voz das cores, os perfis mais amados da vida e do homem amazônico. Toda a natureza da Planície, castigada até o sacrifício das espécies, pôde antes providencialmente mostrar-se nas criações de Moacir. Dir-se-ia que ele foi um meio eficaz que a Amazônia encontrou para defender-se e perenizar-se nas suas feições mais belas e essenciais de potestade verde, de vida infinitamente derramada. Esse fenômeno afetivo de a natureza encontrar nos artistas a sua via sacramental, a sua transposição para o futuro, dá-se com insistência, e com ardor é estudado, e continua misterioso.


O certo, porém, é que a arte dos iluminados é puro e ancestral movimento de preservação dos valores decisivos na evolução dos povos, um esforço pela perpetuidade dos caracteres biossociais e humanas mais eminentes.


A arte que exercita a eternidade é uma conjunção complexa, em que as trocas do homem com a natureza aparecem sinergicamente se completando e redentoramente atuando, sempre a exorcizar a treva aproximada e a mostrar as pontes para o alvorecer. Assim o conjunto da obra de Moacir Andrade, visto na sua grandeza fecunda de quase um século, mais parece uma convulsão da natureza, um poderoso despertar das forças naturais amazônicas buscando espaço para multiplicar seus dons, estender seus abraços, prodigalizar suas luzes.


Emocionalmente considerado e criticamente medido, o trabalho de Moacir Andrade não pode ser só arte, só amor da terra, é uma verdadeira descida ao fogo sagrado, uma unção sobre a selva, o trasbordamento de uma personalidade que as eras reclamam de milênio em milênio (...)"


Max Carphentier

 

 

 

 



Manaus, 28 de julho de 2016

 

 

 

 

 

A Diretoria

 

 

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