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Num país onde os valores são invertidos e um criminoso vale mais que um Policial; a segurança tem se segurar. Artigo por Odirlei Araújo

Num país onde os valores são invertidos e um criminoso vale mais que um Policial; a segurança tem se segurar. Artigo por Odirlei Araújo

 Aristóteles já dizia: Ubi societas ibi jus, onde houver sociedade haverá o direito. A convivência entre os homens provocou o surgimento da sociedade, que pode ser definida de maneira simples como todo complexo de relações do ser humano com seus semelhantes. A ideia de sociedade como resultado de um movimento natural do homem remonta ao século IV a.C., a partir da afirmação aristotélica de que “o homem é naturalmente um animal político”. Para esse filósofo, somente as pessoas de natureza vil ou superior optariam pela vida em isolamento de seus iguais.



 

A necessidade de sobrevivência no meio hostil que o cercava, aliada à necessidade de proteção e de organização fez com que surgissem alguns conflitos entre os homens. A polícia, de modo geral, nasceu de uma necessidade social, com o surgimento dos primeiros núcleos sociais, assim tornou-se um poder de harmonização dos interesses em conflito. A sua existência vem acompanhando a humanidade em sua evolução, e sua finalidade é cada vez mais aceita em meio ao mundo cercado de conflitos e interesses, onde o desrespeito e a falta de valorização do homem pelo homem se acentua a cada momento.


Em artigo publicado recentemente, qual tinha por titulo “Os valores invertidos de uma sociedade hipócrita”, fizemos uma breve análise demonstrativa do que estamos vendo agora na prática.


O incidente ocorrido na virada do ano de 2016 para 2017 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ) é o reflexo em todos os sentidos do que vimos falando há anos com relação ao valor que tem o crime e ao demérito que sofre o cidadão de bem, especialmente os trabalhadores da segurança pública. Os elementos infratores, criminosos, males sociais, crostas corrosivas que afetam nossa sociedade promoveram atos perversos entre si e a sociedade é quem paga mais uma vez pelo maldade desses vermes.


Causa-me nojo e indignação sem medidas ver o Governador do Estado e a famigerada “comissão de direitos dos manos” envolvidos em atos e falas em defesa desses monstros que nesse ato foram mortos por outros de igual índole. Pior ainda é ver noticiado que a ONU e a Anistia Internacional querem intervir no caso e o próprio Presidente da República manifestar solidariedade aos familiares desses “coitadinhos que foram sacrificados em nome do bem social”. Não se viu nenhuma manifestação do senhor Presidente com relação aos valorosos combatentes que tombaram em defesa da sociedade que mantem o Estado com seus pesados impostos e garante os luxos e super-salários daqueles que exercem altos cargos nos três “podres poderes”.


Uma guarnição da Guarda Nacional foi alvejada durante os jogos olímpicos e nada foi dito, um helicóptero foi derrubado e Policiais Militares vitimados e nada se disse, tantos e tantos casos são registrados diariamente de Policiais e familiares destes, vitimados por bandidos, e ninguém diz nada. Temos o doloroso e recente caso de um colega Delegado que desapareceu em ação após prender uma carga de drogas de quase uma tonelada e livrar a sociedade daquele veneno que seria distribuído a custas de vidas e destruição de tantas outras vidas, e nada foi dito; sequer o Governador se manifestou para lamentar o fato, muito menos dizer que ampararia a família do valoroso Policial Civil do Amazonas.


Trabalhar sob condições precárias, colocar a própria vida e a vida de nossos familiares expostas a riscos é algo que fazemos diariamente e ainda assim o Governo do Estado nos lesa em direitos quando nos deixa há mais de cinco anos sem promoções, quando retira de nós o tão defasado ticket alimentação, quando não paga a reposição das perdas inflacionárias, quando não nos dá prédios, veículos e equipamentos para desempenharmos nossas funções. Quando além dos desmandos e da falta de respeito com a sociedade que sofre com a carência de segurança, com crescimento veloz da criminalidade e agora coma negação de pagar a parcela de um direito negociado e garantido em lei, mas, disposto a indenizar familiares de BANDIDOS, é algo que causa revolta e outros sinônimos.


Agora nos encontramos na iminência de uma greve da Policia Civil, algo que não foi descartado até que se cumpra a Lei que determina o pagamento de nossos direitos,  por causa da incoerência deste senhor que em outros tempos apoiamos e até brigamos por seu nome e o fizemos Governador eleito do Amazonas. Num primeiro momento um bom parceiro, mas logo o encanto acabou e o nosso leal companheiro se transforma em algoz da categoria e nos expõe a sofrimentos e sentimentos revoltosos. Que pena senhor Governador. Que pena o senhor estar desde o inicio de seu mandato mal orientado, guiando-se por bússola quebrada e navegando como um barco sem leme. Que pena senhor Governador permitir que a segurança de nosso Estado seja desvalorizada, desmotivada e pelo andar da situação...


Assim nobre colega leitor, fica nossa reflexão, nosso repúdio e a infeliz constatação de que valemos bem menos que um bandido, que os quatro poderes não se importam conosco, embora dependam diretamente de nós, estes mesmos poderes falam mal, punem com leis e regras e retiram de nós o pouco que lutamos para conseguir. Mas não vamos nos dobrar, somos mais fortes que eles. Eles são muitos, mas não podem voar, nós somos mais e vamos nos segurar.

 

 

 

 

“Quando chegar o momento esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro.” (Chico Buarque)

 

 

O autor é Economista, Escrivão de Polícia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

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