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O estupro nosso de cada dia. Artigo por Odirlei Araújo.

O estupro  nosso de cada dia. Artigo por Odirlei Araújo.

A notícia de que uma jovem de 16 anos (outras versões dizem 17) foi estuprada por 30, 31, 33 ou 36 homens, tem tomado conta dos noticiários, das redes sociais e das conversas informais. 

 

Os fatos que ora vem à tona como algo escandaloso e que tem feito muita gente se dizer indignada e agora criando o conceito cultural de que brasileiro é estuprador nos faz refletir sobre as mazelas e as verdadeiras razões que podem ter levado essa jovem a sofrer esse atentado, por esse numero de homens ou não. Traz-nos também a reflexão sobre o quanto somos violentados diariamente e sequer gritamos ou reclamamos, não buscamos a imprensa e nem os órgãos de justiça para reclamar e muito menos temos milhares de pessoas protestando contra violência a que somos submetidos diariamente.


Não estou aqui desmerecendo a violência que essa jovem possa ter sofrido; sabemos que lamentavelmente isso acontece com larga frequência e com pessoas de fato inocentes, que não vivem envoltas com traficantes e outros malfeitores da cultura do funk, do pancadão, do forró vulgar ou do sertanejo “universitário”, quais incitam o sexo sem critérios ou cuidados e levam muitos jovens de mente pequena a praticar o que eles bem dizem e cantam em suas paupérrimas letras e músicas de pouco ou nenhum conteúdo aproveitável.


Quase todos os dias temos reportagens sobre jovens que assassinaram jovens, jovens que roubaram jovens, adolescentes que mataram e que foram mortos e crianças que perdem a infância em meio ao crime e aos abusos sexuais, emocionais e morais. Segundo Durkheim, a violência seria definida como, “um estado de fratura nas relações de solidariedade social e em relação às normas sociais e jurídicas vigentes em dada sociedade”. Galdino Jesus dos Santos (Bahia, 1952 – Brasília, 20 de abril de 1997) foi um líder indígena brasileiro da etnia pataxó-hã-hã-hãe que foi queimado vivo enquanto dormia em um abrigo de um ponto de ônibus em Brasília, após participar de manifestações do Dia do Índio, em um crime que chocou o Brasil.


O crime foi praticado por cinco jovens daquela cidade. Na madrugada de 20 de abril de 1997, cinco jovens da alta classe de Brasília, incluindo um que era menor de idade à época atearam fogo em Galdino enquanto ele dormia. Galdino morreu horas depois em consequência das queimaduras. O crime causou protestos em todo o país.


O controle da criminalidade violenta é um processo complexo que envolve uma negociação delicada na busca da ordem social que deve passar pelo respeito aos direitos individuais. O esforço em diminuir a incidência de crimes envolve não só a ação policial ou assistencial, mas uma cooperação entre diversas áreas como o sistema educacional, de saúde pública, de Justiça Criminal, atividades culturais, condições de moradia e emprego etc. A articulação adequada dessas áreas, focada principalmente no público jovem, é o desafio para uma política de segurança pública que possa trazer resultados positivos.  


Repudio o fato de muitos estarem classificando o Brasil como país que cultua o estupro. Somos gente de bem, somos a maior população declarada cristã do mundo, ainda preservamos valores morais, éticos e religiosos, e, por tudo, julgo inaceitável essa tacha de somos o país que tem o estupro como cultura. É bom e necessário se observar que somos nós, todos os brasileiros, de todos os lugares do Brasil que sofremos as piores violências, que vemos nos noticiários casos espantosos de corrupção que se tornou uma doença gravíssima e que tem corroído nosso sistema social. São inúmeros casos envolvendo pessoas que muitas vezes pareciam estar acima das suspeitas e que nos decepcionam quando seus nomes aparecem envoltos em escândalos e crimes contra a nação brasileira.


Neste momento estamos sendo violentados quando o Governador do Amazonas, muito mal assessorado, como um rei de coroa vazia, atendendo ao seu secretariado que o trata como um papel em branco.  Não bastassem tantas ações antipopulares e antissociais que o atual governante vem praticando nas áreas de segurança, habitação, educação e economia, agora parte para a agressão ao moribundo sistema de saúde que é oferecido de forma precária à sociedade e que esta mal servida sociedade paga pesados impostos para ter direito ao mínimo possível desse serviço que agora com a ironia de um sádico, o Secretário de Saúde diz cinicamente que “tem serviço demais para público de menos”.


Isso é fato violento, isso dói e dói muito. Isso vitimiza do feto ao idoso, do rico ao miserável. Isso é violência e esse tipo de violência tem que ser tratado com algo que dói em todos, que destrói a tantos sonhos e possibilidades de acreditar que ainda se pode ter um pouco de vida.

 

Outro fato violento parte do atual Ministro da Saúde que suspendeu a legalização da PILULA DO CANCER, por atender a um grupo de empresários médicos e donos de laboratórios que vendem uma única dose de um remédio que somente alivia os sintomas da doença pelo valor abusivo de R$ 38.000,00 (trinta e oito mil Reais), enquanto a pílula do câncer custaria aos brasileiros o valor simbólico de R$ 0,10 (dez centavos de Real).


São tantas as forma de violência contra a nossa sociedade que a cada dia somos estuprados, queimados vivos, esfaqueados, vitimas de balas perdidas, vitimas de assaltos legalizados, de corrupção institucionalizada, de heróis de papel que no fim da história se revelam os piores vilões. Assim caminhamos sem rumo em direção ao desconhecido e duvidoso lugar nenhum, e gritando que estamos ofendidos quando alguns religiosos sentindo-se ultrajados por insultos a sua crença partidos de um jornal marrom, reagem com a mesma violência que foram agredidos, e agora, quando uma jovem de comportamento duvidoso se declara vitima de seu grupo social e diz que foi estuprada, a comoção social grita tão alto quanto no jogo da copa do mundo em que o jogador Neymar foi contundido, Está na hora de gritar pelo que de fato nos causa dor.

 

“Dissestes que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira.” (Legião Urbana),

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Polícia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

 

 

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