Imprimir Compartilhar Enviar por e-mail

O velho o menino e o burro – O ticket a GSE e o plantão. Artigo por Odirlei Araujo

O velho  o menino e o burro – O ticket a GSE e o plantão. Artigo por Odirlei Araujo

 Eu não inventei esta história, é uma fábula antiga que tive oportunidade de ler em meu tempo de escola primária, apenas estou reescrevendo algo que ouvi de uma pessoa experiente, no ambiente de trabalho onde ouvimos comentários e comparações diversas. Como toda boa fábula, vou reescrever com a introdução tradicional voltada para a realidade que passamos como dirigentes sindicais.

 

Era uma vez um velho e seu neto. Depois de fazer um grande esforço, os dois conseguiram comprar um burro para melhorar a rotina diária do sítio em que moravam. Orgulhosos da nova aquisição, o velho desfilava montado no burro e o netinho andava ao lado, puxando as rédeas do animal.

 

Logo um grupo que se dizia "Contra o trabalho infantil" protestou de forma violenta contra aquela situação. Onde já se viu um adulto explorar uma criança daquela forma?

 

O velho, envergonhado, resolveu dar um basta naquela situação e colocou o neto montado no burro e continuaram o triunfal retorno ao sítio com sua nova aquisição.

 

Não deu dez minutos e outro grupo, "Envelhecer com dignidade" iniciou uma passeata em favor do velho. Onde já se viu deixar um jovem tratar o avô desta forma indigna?

 

O velho olhou desconsolado para o neto, que retribuiu com um ar de grande perplexidade. Pensaram alguns minutos e resolveram a questão.

 

A cidade, atônita, assistiu a cena mais bizarra da história daquele vilajero. O velho e o menino desfilaram pela cidade carregando o burro nas costas.

 

Finalmente conseguiram agradar a todos e se tornaram unanimidade: "duas bestas que carregam um burro".

 

As questões de tikcet, GSE, plantões, dentre outras têm sido tão freqüentes quanto a que apresentamos agora com o projeto da construção de moradias para os policiais civis.

 

Muitas são as demandas que chegam diariamente ao sindicato e este, por meio de sua diretoria tem que decidir e viabilizar o que seja possível sem, no entanto, perder o foco dos demais pleitos. Assim tem sido nossa lida diária. Ações para os trabalhadores aposentados, reivindicações apresentadas ao governo desde o ano passado, a questão do ticket que tem sido uma das principais e mais difíceis reivindicações nossas junto ao governo, inclusive por via litigiosa e que agora tem o parecer favorável Ministério Público.

 

GSE – algo pelo que vimos negociando a forma de como esta é paga e como se tem aplicado e a quantos. A questão dos plantões é algo que está em nossa pauta diária. Eu mesmo fui e sou um dos que mais reivindicaram e mais ainda tenho tocado neste assunto, considerando que sou ESCRIVÃO, e como tal, sofri muitos plantões nas condições em que estes nos são apresentados.

 

A questão da moradia é um sonho para muitos de nós trabalhadores da Policia Civil. Para tantos falta a tão almejada CASA PRÓPRIA. Essa questão tem nos movido e desde o ano passado vimos trabalhando o projeto da casa própria via condomínio da Policia Civil.  Até por isso temos recebido criticas. Muitos agradecem e outros criticam por considerarem que casa própria não é necessidade, o que é de fato necessário aos críticos de plantão e o ticket, é a GSE e o plantão de 12x96 horas.

 

Por fim, muitos são os assuntos que poderiam ser tratados, mas não caberiam num artigo jornalístico semanal, e talvez, num artigo cientifico.

 

Levantar a fábula do Velho, o menino e o burro é resultado da reflexão que fazemos diante dos comentários e manifestações de insatisfação e descrença que recebemos nessa semana por ter elegido a questão da moradia digna para nossos companheiros e familiares que não tem casa própria e que estes seguramente estão atentos e apoiando a iniciativa.

 

Lembramos também aos colegas que só pensam em criticar, que as questões citadas como o ticket, a GSE, os plantões e as promoções. As reformas das delegacias, os veículos, a presença de presos de justiça nas carceragens das delegacias, a forma de governar, sugestões aos novos dirigentes da Policia Civil sobre as necessidades e reivindicações de nossa categoria, já foram apresentados e agora nos cabe acompanhar e cobrar resultados.

 

Por fim, não conseguiremos agradar a todos; isso ninguém jamais conseguirá. O fato de surgirem criticas injustas e cobrança indevida é algo que não vai nos desmotivar e tirar o ânimo para prosseguir na luta. Observando que o Governo do Estado está passando por uma reforma administrativa, que o orçamento da Policia Civil esgotou em outubro do ano passado, que a SEFAZ não se responsabiliza por faltas de outras secretarias, e, que não depende do SINPOL-AM resolver tudo em um passe de magia e com simples ordens satisfazer os desejos da categoria.

 

 

Moral da história: existem situações em que não é possível agradar a todos ao mesmo tempo. Se você achar que conseguiu, desconfie porque você pode estar fazendo papel de tolo.

 

 

“Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada” (Engenheiros do Havaí)

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Policia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

 

Comentários »


Enviar comentário




Lida 1015 vezes