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Os heróis invisíveis e a sociedade cega. Por Odirlei Araújo

Os heróis invisíveis e a sociedade cega. Por Odirlei Araújo

 Você não me conhece, ou muitas vezes me conhece, mas finge que não conhece, me vê e finge que não vê, sabe que existo, mas prefere me ignorar. Isso tudo acontece até o momento em que eu sou a única possibilidade de resposta ao seu problema. Sou talvez o único apto a lutar por você e até livrá-lo do mal que lhe aflige. Sou anônimo aos seus olhos, sua atenção quase nunca chega a mim e muitas vezes você afirma não gostar de mim, diz que sou mal ou desnecessário. Você me condena sumariamente quando tiro do seu caminho alguém que te faz mal, me chama de violento, de truculento e até de covarde, mas, quando alguém te causa algum dano é a mim que você recorre, é a mim, este ser invisível ou pouco importante a quem você apela. Você SOCIEDADE precisa olhar para mim e reconhecer meu valor e se convencer que sem mim você não vive. Eu sou POLICIAL, sou seu HERÓI INVISIVEL.

 

Todos os dias somos bombardeados com notícias de tragédias e casos de violência que nos trazem uma sensação que o mundo está de cabeça para baixo. Mas será que está mesmo? A verdade é que muitos heróis invisíveis fazem gestos incríveis. Não são como os heróis de filme, e a primeira coisa que costuma vir na nossa cabeça são personagens de historias em quadrinhos, homens e mulheres escondidos atrás de máscaras e roupas chamativas. Eles, que passam despercebidos na maioria das vezes, são os protagonistas da cena diária em que os bons vão a socorro dos oprimidos e quase sempre estes são esquecidos e até injustiçados.

 

As vidas daqueles que tem por função ou obrigação proteger e resguardar a sociedade e seus cidadãos indistintamente, têm sido diariamente alvos de malfeitores que os marcam, perseguem, deformam e até matam, muitas vezes estendendo sua maldade aos familiares que indefesos são também perseguidos ou vitimados por esta parte apodrecida da sociedade. O mais doloroso é a triste constatação de que esta mesma sociedade que depende em todo o tempo da segurança pública, não defende moralmente seus agentes, em muitos casos, pelo contrário, se levantam contra aqueles a quem deveriam agradecer por darem suas vidas em proteção de outras tantas.

 

No dia 8 de outubro, o Delegado Péricles Rodrigues do Nascimento foi baleado durante uma operação policial no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus. De acordo com relatório do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), o titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV) foi atingido por um tiro no rosto. Neste e em vários outros casos não se viu alarde da imprensa, dos direitos humanos, das passeatas de protesto. Não se viu manifestação de repudio ou de apoio nas casas legislativas, não se viu comentários nos bares, nos shoppings, nas redes sociais e nem mesmo nas páginas oficiais. Não, isso não se viu porque somos invisíveis e o que nos atinge não atinge aos que não nos querem ver.

 

No ano passado, o Delegado Thiago Garcez desapareceu em missão, na arriscada missão de proteger a sociedade que não nos vê. Até agora não se tem noticia do Delegado, assim também se tem passado com Escrivães, investigadores, Policiais Militares e Federais e ninguém diz nada, porque somos invisíveis. Sim, podemos até ser invisíveis aos seus olhos, mas tenha sempre a certeza de que somos seus heróis e guardiães, somos seus escudos e suas espadas e que mesmo que você SOCIEDADE não nos queira ver, nós existimos para que você exista e você não existiria sem nós.

 

 

Se você não entende não vê, se não me vê, não entende. (Kiko Zambianchi)

 

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

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