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Os valores invertidos de uma sociedade hipócrita: Artigo por Odirlei Araújo

Os valores invertidos de uma sociedade hipócrita: Artigo por Odirlei Araújo

“O ladrão não vem, senão para roubar, matar e destruir.”

 

Caros Leitores.


Após um período intenso trabalho em que me licenciei das atividades do SINPOL-AM para tentar oferecer à cidade de Manaus a oportunidade de ter um representante comprometido com as lutas sociais, e o ser humano no legislativo municipal, mas não tive meu recado compreendido, mas saí feliz desse trabalho pelo fato de milhares de pessoas terem respondido e por ter feito minha parte, volto aos artigos semanais.


Continuando a reflexão sobre a importância que tem a pessoa humana, venho questionar sobre os valores que tem se invertido em larga escala e em velocidade assustadora, tanto quanto a onda de violência que avança sobre nós como a “pororoca” sobre as margens dos rios.


As vidas daqueles que tem por função ou obrigação proteger e resguardar a sociedade e seus cidadãos indistintamente tem sido diariamente alvos de malfeitores que os marcam, perseguem, deformam e até matam, muitas vezes estendendo sua maldade aos familiares que indefesos são também perseguidos ou vitimados por esta parte apodrecida da sociedade. O mais doloroso é a triste constatação de que esta mesma sociedade que depende em todo o tempo da segurança pública, não defende moralmente seus agentes.


Uma enquete realizada pelo programa Encontro com Fátima Bernardes no dia 17, suscitou uma polêmica que só fez crescer nas redes sociais nesta ultima semana. Motivado pela estreia de Sob Pressão, filme de Andrucha Waddington sobre um médico do sistema público que se vê obrigado a decidir quem vai atender primeiro e por isso, muitas vezes, quem irá salvar. O programa quis saber de seus convidados, quem eles socorreriam antes, se um policial ferido ou um traficante com risco de morte.  No filme, há uma cena em que o médico, vivido por Julio Andrade, precisa tomar essa decisão. Os convidados do programa, Andrade entre eles, escolheram atender primeiro o criminoso.


Quatro Policiais Militares morreram na queda de um helicóptero em meio a um tiroteio na favela Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, no dia 19. Logo dois dias depois da estupida enquete e muitos felizes telespectadores de Fátima tiveram a coragem de comentar nas ruas, comércios e ônibus que os Policiais foram vitimados por falta de preparo e até por abuso de autoridade. Ouvir esses vômitos causa nojo e forte vontade de entrar no debate e fazer calar essa gente hipócrita. Falo como humano, cidadão e Policial.


Aqui em Manaus somente nos meses de outubro e novembro foram assassinados por assaltantes e traficantes, quatro Policiais Militares e um Policial Civil no Iranduba, ambos em ação contra os criminosos que causam tanto mal à nossa sociedade. Essa mesma sociedade que juntamente com alguns veículos de comunicação fez um grande barulho pelo suposto sumiço de três elementos comprovadamente perigosos e que vinham ameaçando de morte alguns dos Policiais Militares suspeitos do suposto sumiço. Mas, esta mesma sociedade não faz barulho ou manifesto de reconhecimento aos Policiais que desarmam e desarticulam assaltantes de ônibus, estupradores e traficantes que são tirados de circulação...


Nós merecemos pelo menos o mínimo de reconhecimento e respeito, merecemos o que todos querem e a nós recorrem para que se faça. Nós queremos justiça!  


Quando algo acontece contra cidadãos infratores e estes orientados por seus “advogados” recorrem a Corregedoria Geral, imediatamente os Policiais denunciados são intimados e intimidados a comparecer para receber a infeliz informação de que a partir dali estarão respondendo processo administrativo-disciplinar por terem agido contra a desordem. Dez Policiais Militares estão presos por causa de denúncias de familiares e da maninha marrom (imprensa) sob alegação da Secretaria de Segurança de que é preciso dar uma resposta à sociedade, esquecendo-se de que estes Policiais também são parte da sociedade, assim como seus familiares, amigos e as pessoas de bem que reconhecem seu valor e apoiam seu trabalho. Essa parte da sociedade também quer respostas, também quer justiça.


A secretaria de Segurança que pune os Policiais antes de apurar com profundidade os fatos, que se rende a imprensa marrom, esta mesma imprensa que põe preço na droga apreendida, não faz operações e nem disponibiliza força-tarefa para coibir as ações de traficantes que com seus produtos malditos induzem muitos a cometer assaltos diversos, muitos até seguidos de morte, onde o bandido não escolhe pessoa ou classe social, assaltam de desembargador a desempregado para satisfazer seu vicio que é satisfeito por esses lixos que vendem caro e o preço é a própria vida e muitas vezes a vida dos filhos desses que defendem bandidos e condenam Policiais.


Por fim, eu poderia escrever varias páginas neste artigo-desabafo onde ora coloco meus sentimentos em protesto contra tudo o que se tem feito de injustiça contra os guardiões da sociedade, esta mesma sociedade que de forma hipócrita inverte seus valores.

 

“Enterrem a miséria viva, somos parte dela” (Mencius Melo – Zona Tribal)

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

 

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