Imprimir Compartilhar Enviar por e-mail

Policia e Imprensa: Como nos relacionamos frente a sociedade? Artigo por Odirlei Araújo

Policia e Imprensa: Como nos relacionamos frente a sociedade? Artigo por Odirlei Araújo

Inicio este artigo levantando essa questão. Como nós Policiais Civis e Militares nos relacionamos com a imprensa tendo a sociedade como cliente principal de nossos serviços e sendo esta a principal responsável pela manutenção de nosso existir?


Há muito vem se discutindo a relação que temos. Em muitos casos a Policia é parceira imediata da imprensa, a quem fornece informações que serão repassadas a sociedade e esta garantirá a vendagem de impressos, assinatura de portais de noticias, ampliará a audiência em rádios e canais de televisão, o que para os empresários da comunicação social, detentores ou não de concessões públicas, consigam obter lucros e manter seus negócios.


Com relação às Policias, abre-se aí uma grande janela para discussões em torno do tema. Raramente os veículos de comunicação apresentam elogios e palavras de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela policia e pelo agente policial. Faz-se um bom trabalho e quase nunca se ouve um “obrigado” ou “parabéns”. Cometa-se qualquer ato que seja entendido como ofensivo ou agressivo e vem a chuva de criticas e descréditos colocando quase sempre a sociedade em sentimento de antipatia por aqueles seres humanos, cidadãos trabalhadores que optaram por uma das mais difíceis e ingratas profissões; ser Policial.


As dificuldades e angústias sofridas pelos trabalhadores da Segurança pública, muitas vezes não tem paralelos. Conviver com elementos para os quais não existem leis ou regras, sair de casa para trabalhar em favor de muitos, deixando seu maior tesouro descoberto e em risco de ameaças advindas de elementos ferozes a atrozes que são nossos inimigos imediatos por conta do combate que travamos diariamente com estes em razão de suas ações antissociais, quase nunca são pautadas pela imprensa. A mesma imprensa que é nossa parceira, que nos cobra em nome da sociedade, que nos pede informações para suprir suas páginas policiais; é a mesma imprensa que nos condena havendo qualquer deslize, pensado ou não. É também a mesma que exalta o nome de facções criminosas, munindo com valores seus nomes, incentivando qualquer elemento infrator a evocar seu nome a fim de parecer perigoso, organizado e intimidador.


 A Polícia que queremos; esta, temos discutido diariamente com os colegas de trabalho e com o pessoal de comando. A Polícia que queremos é bem mais que uma Policia repressora, punitiva, intimidadora. Nós pensamos e temos cobrado de nossos dirigentes e governantes uma policia moderna, uma policia que ande de braços dados com o cidadão de bem e que possa colaborar com ações sociais e orientar a sociedade para conter o avanço da proliferação dos cidadãos infratores. Como disse Pitágoras em relação à orientação dos pequenos “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.” Ou em Provérbios 22:6 “Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele!”. É isso que queremos como padrão inicial de nossas policias.


Quanto à imprensa, essa tem sido como dito, nossa parceira, importante colaboradora de nossos serviços e de atenção à sociedade, mas, tem sempre algo que se sobrepõe ao interesse comum. Muito nos incomoda quando acontece qualquer ato de reação da parte das policias contra elementos infratores, verdadeiros “vírus sociais” que perturbam a paz e desestruturam famílias, veículos de imprensa nos taxar de maus servidores, de inescrupulosos ou truculentos. Não é isso que esperamos de nossa parceira imprensa. A imprensa que queremos como parceira é a imprensa que some conosco no combate a criminalidade, que oriente e eduque o cidadão, que desempenhe bem o seu oficio de informar, mas que informe com isenção, que dignifique nosso trabalho, que não exalte facções criminosas ou estipule valor a drogas apreendidas.


Alguns objetivos da imprensa podem ser coincidentes com os objetivos da polícia, como a orientação de seus esforços para o interesse da sociedade, principalmente quanto à melhoria de sua qualidade de vida. Mas é sempre bom lembrar que os órgãos de imprensa também “constituem negócios num mercado competitivo”.


Segurança Pública é um tema constante nos noticiários de qualquer parte do mundo, pela importância do tema, e pela carga de emoções que trazem os fatos a ela relacionados. Podemos dizer que tratar de Segurança Pública e, principalmente, da polícia, é a oportunidade que a imprensa tem de encarar o desrespeito à integridade da ordem pública de maneira sensata, ou até de produzir shows baseados em acontecimentos, ou pseudo-acontecimentos, que chamam a atenção por sua gravidade, não os tratando de maneira responsável.


Há três tipos de repórter: o jornalista, o bajulador e o informante. O jornalista sempre divulga os dois lados da informação policial, e não somente ouve o lado da policia, como também ouve os advogados dos acusados, familiares dos mesmos e o Ministério Público.


O repórter bajulador: o repórter bajulador, geralmente são os privilegiados com as informações por parte de alguns oficiais da policia e alguns soldados ou policiais civis, pois estes são de confiança, mostrando somente um lado da situação, geralmente o que é conveniente para alguns policiais ou oficiais.


O repórter informante: são os profissionais que estão sempre repassando informações para a polícia e, em troca, recebem privilegiadas informações sobre ocorrências em andamento, ficando com o tal repórter o chamado “furo de reportagem”, ou aquele que chegou primeiro.


Acontece que, para o jornalista que trabalha sem informações de policiais, há sempre o outro lado dos fatos que se traduzem em grande pauta. Os advogados das vitimas, o promotor e o próprio comando superior podem ser os entrevistados pelos jornalistas.


Vale ressaltar que as autoridades não tem o dever de comunicar ocorrência para os jornalistas, o que vale, é a parceria e a transparência na divulgação dos trabalhos da polícia para que as informações cheguem ao conhecimento da população. Se há lacuna entre a polícia e alguns veículos de comunicação, essa falha se chama: “Assessoria de comunicação”.


Diante dos fatos observados e das ponderações, quero chamar a atenção do nosso estimado leitor para o I WORKSHOP POLICIA E IMPRENSA, UMA RELAÇÃO DE PARCERIA, a ser realizado na segunda quinzena do mês de junho, qual pretendemos fazer juntamente com o Sindicato dos Jornalistas, representantes de emissoras de rádio, TV, portais de noticias, jornais impressos e representantes classistas das Policias Civil e Militar a fim de colocar em mesas claras a relação que queremos e que podemos ter com nossos parceiros da imprensa amazonense e quiçá, nacional.


 


“As pessoas que se enrolam nos jornais não são mais notícia” (Nenhum De Nós)


 


O autor é Economista, Escrivão de Policia Civil, Presidente da AEPOL e Vice-Presidente do SINPOL-AM.


 


 

 

Comentários »


Enviar comentário




Lida 792 vezes