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Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas
Artigo por Odirlei Araujo
 
 
 
Volto à cena das crônicas e artigos e dessa vez trago um misto de ambos para chamar a reflexão sobre a situação dos Policiais Civis do Amazonas após ouvir serenamente Maria Bethania cantando a poesia do português Pedro Abrunhosa. Quem me leva meus fantasmas.
 
Sim, meus fantasmas, esses fantasmas que atormentam diuturnamente, que não me deixam sorrir alegremente, que não me deixam dormir tranqüilo e nem me deixam viver em paz, pelo fato de atormentarem minha consciência e me mostrarem a todo momento que preciso fazer mais por aqueles a  quem represento, ou seja, minha categoria profissional.
 
Os fantasmas de que fala a poesia de Pedro Abrunhosa, são os sem-abrigo do Porto e a vida interrompida por este ou aquele erro, esta ou aquela razão.
 
Os fantasmas a que me refiro são as injustiças que sofremos pela falta de reconhecimento de nosso trabalho e a falta de seriedade com que nos tratam as autoridades constituídas para trabalhar pela sociedade. 
 
O Governador nos coloca em dúvidas constantes. Estamos entrando o mês de setembro e tememos pela “primavera negra da Policia Civil”. Nossas promoções estão pendentes como pêndulos de espadas sobre nossas cabeças. Nosso ticket de refeição, algo tão simples e barato vem sofrendo constantes atrasos em seu repasse para nós, (não bastasse a falta de reajuste no valor), nosso repasse da data-base, esse é o calo mais recente que nos causa grande dor em nossa caminhada e ainda concurso público para atender o déficit de servidores na instituição.
 
Reconheço que a mim e meus colegas de diretoria cabem as cobranças e por isso escrevo estas linhas a fim de chamar a atenção de todos quantos lêem e compreendem ou buscam compreender a situação por que passamos. Saliento que a diretoria está toda empenhada em resolver os problemas existentes, sem objeção a qualquer deles, mas chamo também a atenção daqueles que ora ocupam cargos de confiança e que por momentos esquecem que são membros do corpo operacional e administrativo da Policia Civil, compreendido principalmente por Escrivães, Investigadores, Peritos e Delegados. Somos todos Policiais indistintamente. Cargos de confiança são efêmeros e quem hoje dirige, amanhã será dirigido.
 
Chamo também a atenção para o fato de várias delegacias terem sido desativadas e não se saber para onde foram deslocados os servidores que atuavam nestas. É indigno o trabalho do pessoal das Centrais de Flagrante. É imoral ver um numero menor que a metade do necessário para que essas centrais funcionem.  É completamente chocante ver nossos companheiros do interior abandonados a própria sorte sem o mínimo de apoio para desempenho da função. É vergonhoso ver nossa população sempre exposta ao tratamento desrespeitoso imposto pela falta de sensibilidade administrativa de quem está na direção geral da Policia Civil. É preciso senso de justiça e de responsabilidade, é preciso olhar para si mesmo e lembrar que se é Policial e não eterno chefe ou dirigente.
 
Meus fantasmas me atormentam. Atormentam-me pelo que relato neste artigo-crônica. Atormenta-me ir a Assembléia Legislativa do Estado pedir providências, gritar ao Governador que cumpra sua palavra, que leve a sério nossa categoria, esta que é feita de cidadãos de bem, de pais e mães de família, que é feita de valorosos combatentes que diariamente estão expostos a riscos para garantir SEGURANÇA à sociedade...
 
Meus fantasmas me deixarão quando enfim decidir exorcizá-los pela rebeldia contra o sistema posto que não nos respeita; pela manifestação pública que fará parar os serviços prestados a população, mas, que antes de qualquer ação que possa causar transtornos a esta, faremos dela nossa principal aliada, a principal defensora de nossa bandeira; sim senhoras e senhores, a sociedade será nossa madrinha, guardiã e avalista de nossas manifestações  em favor de nossos direitos que por conseguinte garantirão o direito desta nobre senhora chamada SOCIEDADE,  de receber os serviços por nós prestados e com melhor qualidade.
 
O riso é a distância mais curta entre duas pessoas. Eu chorava por não ter sapatos até que um dia encontrei um homem que não tinha pés. O desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece.
 
Sorri, embora seja apenas um sorriso triste. Porque mais triste que o sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir.
 
Assim começo a exorcizar meus fantasmas, mas continuo a gritar e não me calarei enquanto as gritantes injustiças contra nossa categoria estiverem acontecendo, e daqui por diante as onças-pretas e as corujas vão sacudir a selva. 
 
 
 
“Aquele era o tempo em que as sombras se abriam em que homens negavam o que outros erguiam” (Pedro Abrunhosa)
 
 
 
 
 
O autor é Economista, Escrivão de Policia Civil e Vice-Presidente do SINPOL-AM

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