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Se todos são iguais perante a lei - que a lei seja igual perante todos. Por Odirlei Araújo.

Se todos são iguais perante a lei -  que a lei seja igual perante todos. Por Odirlei Araújo.

  

O Brasil vem atravessando um período de terrível turbulência nos últimos dois anos, principalmente no que se refere a situação de governança.

 

Em 2014 a Presidente Dilma foi reeleita, tendo como vice em sua chapa o senhor Michel Temer, quem atualmente ocupa o cargo de mandatário máximo do pais, o que para a maioria da população brasileira se dá e se deu de forma ilegal e oportunista, uma vez que o crime de responsabilidade imputado a então presidente Dilma nunca foi comprovado com bases sólidas e sequer tinha fundamentos legais para tal. Ainda assim, o congresso nacional, de forma sorrateira decidiu em maioria por cassar o mandato de uma pessoa eleita pelo voto direto e sem dar a esta o amplo direito à defesa, visto que o circo estava armado e logo era interessante atear fogo e acabar com o projeto de governo popular e progressista, que apesar dos deslizes, ainda era a melhor representação do anseio popular.

 

Hoje vemos sem surpresa e em outros momentos com perplexidade, o governo desleal de Michel Temer envolvido em escândalos verdadeiramente comprovados, em desvios de conduta, em corrupção ativa e passiva, praticando de cara aberta, aquilo de que acusaram a outros sem provas cabais. Esse é o momento politico vergonhoso por que passa o Brasil.

 

Acusar com dedo em riste é fácil, não dói e quase sempre dá prazer aos sádicos. Chegar ao poder por qualquer meio para estes justifica o fim, e sem dó nem piedade colocam a grande mídia e a opinião pública contra quem bem entendem, é a máxima do “manda quem tem dinheiro, obedece quem não tem”. Essa é a infeliz realidade de nossa humanidade.

 

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante.

 

Cito este trecho do artigo 5. Da Constituição Federal de 1988 só para exemplificar que a Constituição foi ferida de morte no caso ocorrido com a Presidente Dilma.

 

Sem alongar na questão, vamos a outros pontos intrigantes: A Presidente foi cassada por suposto remanejamento de recursos a fim de garantir o funcionamento do governo, o que não configura crime, mas foi julgada a força e as pressas, e condenada. Temer vem pressionando o congresso para aprovar em caráter de urgência medidas antissociais que visam massacrar a população, principalmente a classe trabalhadora que está ou esteve no mercado de trabalho, além de provocar majoração no numero de desempregados no país sem oferecer nenhuma alternativa de recuperação da força produtiva e dos postos de trabalho. Pior ainda, a tal famigerada reforma da previdência que dobra o tempo de contribuição, exigindo de um povo que não tem emprego, carteira assinada e contribuição previdenciária, o que poderá colocar a previdência social do Brasil no fundo do poço, vindo após isso o aterro ou enterro.

 

Todos têm culpa, todos erraram, mas, só alguns foram até agora responsabilizados ou indiciados. Os paladinos da justiça e da moral agora estão tendo seus “honrados e imaculados” nomes citados em delações de empresários que se locupletaram dos recursos públicos e que investem esses recursos em outros países, enquanto no Brasil, a média de desempregados gira em torno de 13 milhões, somente contando os que têm registro profissional (carteira de trabalho).  A Bíblia diz em Romanos 3 – 10.  Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.  

 

Então vem a questão; se todos são iguais perante a lei, por que somente alguns são inquiridos, julgados e condenados, enquanto outros que fizeram tanto mal e continuam fazendo ficam livres e atuantes? Vivemos numa sociedade hipócrita e de valores invertidos, já disse isso em outro artigo, vivemos em clima de futebol, de torcidas organizadas e apaixonadas que só veem o espetáculo midiático, gritando e dizendo que “teu politico é mais corrupto que o meu” e esquecem que a exemplo dos períodos de copa do mundo de futebol, o povo deveria pintar suas casas, ruas, caras, vestir camisas ir às ruas, ficar ligado nos noticiários, gritar, questionar e comemorar a cada acerto de cada parlamentar, operador do direito ou governante e reclamar bravamente das faltas cometidas por cada um deles e exigir assim sua substituição por não servir para a função.

 

Temos esperança apesar do tempo tenebroso e temeroso por que passamos. Temos esperança de que os dias brancos estão chegando e com eles as flores que embelezarão nossas vidas. Temos esperança de que o povo brasileiro consiga praticar desde suas casas a educação que chegará ao ambiente escolar.  Temos esperança de que homens de bem surgirão e se apresentarão para a apreciação popular em período eleitoral e que a pratica da corrupção, assim também os corruptos e corruptores, serão banidos de nossa sociedade. Temos esperança sim, porque sem esperança o homem deixa de existir e quando os bons se calam os maus prosperam em cima da miséria do povo.

 

Digo e repito; tenho esperança de ver todos quantos devem, pagarem por seus atos e que o nosso amado Brasil seja curado desses males. Que ninguém que aponte erro dos outros o faça somente para desviar de si a atenção, mas que o faça por senso de justiça e antes de tudo por ter caráter e comportamento exemplar. Por fim, tenho esperança de que o Brasil será um lugar digno de se viver e que daqui jamais alguém pense em sair por desgosto, mas que diga “vou ali, mas volto já”. Ainda teremos o Brasil que merecemos.

 

 

“Os velhos de Brasília não podem ser eternos, pior que foi pior que tá não vai ficar” (Nilson Chaves)

 

 

O autor é Bacharel em Ciências Econômicas, Escrivão de Policia Civil e Vice-Presidente do SINPOL-AM.

 

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