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Valorizar o Policial é proteger a quem protege. Artigo por Moacir Maia.

Valorizar o Policial é proteger a quem protege. Artigo por Moacir Maia.

 No artigo publicado na data de ontem 13/02 por nosso companheiro Renato Bessa, a insegurança que nos assola foi bem debatida e seguramente vem chamar a atenção dos nobres colegas Policiais, ainda mais porque chama a atenção para a violência que nossas policias vem sofrendo e há muito tempo por conta de nossas atuações contra criminosos que movimentam a “economia suja” do crime.

 

Em decorrência de nosso trabalho e da exposição a que somos submetidos diariamente e as situações provocadoras das nossas ações e reações, muitos de nossos colegas profissionais da Segurança Pública têm perecido, assim como, suas famílias pela triste perda de seus entes queridos. Esse é o tema que balizará o Ato Unificado da COBRAPOL em defesa da classe policial brasileira no próximo dia 25.

 

Temos dito repetidas vezes que o respeito e a valorização do Policial são fundamentais para que tenhamos um serviço eficiente e profissionais motivados. Não adiantam nu meros justificando investimentos no serviço de segurança pública se a realidade vista e vivida é bem outra. Temos perdido vidas valiosas e a valorização devida ainda é algo distante  da realidade desejada.

 

Muitos profissionais da segurança pública morreram no ano passado em decorrência de suas atividades como já disse. O que se observa na maioria destas mortes é a guerra silenciosa que traficantes travam contra nossa polícia. Sabem o motivo de policiais incomodarem tanto? Porque eles impedem traficantes de usurparem a alma de nossos familiares, amigos e conhecidos. Policiais estão perdendo a vida por todos nós! Por isso eu gostaria de pedir às autoridades e pessoas que estão lendo este artigo: valorizem e defendam nossos policiais.

 

A Justiça Criminal encontra-se em crise sem precedentes. Leitores escrevem aos jornais, externando seu inconformismo. Decisões judiciais contraditórias, ora prendendo, ora soltando acusados, deixam a sociedade perplexa. O crime organizado não se intimida. Avança em sofisticação, audácia e sucesso. Nos jornais, as notícias de fatos graves, que há um ano a todos surpreendiam, hoje não merecem mais do que uma breve menção em canto de página. Cidadãos mudam-se das grandes cidades, mas já não encontram nas pequenas, a paz de duas décadas atrás.

 

Em meio a tal situação, muito se promete e pouco se faz a favor da segurança pública. Após cada investida mais grave dos criminosos, como as ocorridas no ano passado, o tema volta aos meios de comunicação. Entrevistam-se sociólogos, professores, autoridades, tomam-se medidas de impacto e, pouco tempo depois, volta tudo ao normal. Até que novos fatos surjam.

 

É verdade que o Governo Federal vem tomando algumas iniciativas, como a Matriz Curricular Nacional, ponto de referência para a capacitação dos policiais, a Rede Nacional de Especialização em Segurança Pública, com o objetivo de articular o conhecimento prático dos policiais, o fortalecimento da Secretaria Nacional de Segurança Pública e a própria criação da Força Nacional de Segurança. No entanto, tais projetos, à exceção da Força Nacional não chegam ao cidadão comum que nem sequer os conhece. E por outro lado, segundo notícias da imprensa nacional, o Brasil gasta mais no Haiti do que com o reaparelhamento de polícias.

 

A Polícia Civil sofre um processo de desgaste. No entanto, a ela cabe investigar a absoluta maioria dos crimes praticados no território nacional. Opera em Delegacias pouco estruturadas, muitas delas valendo-se ainda de computadores com mais de dez anos e sem manutenção, alheias à evolução da técnica (raramente possuem filmadoras ou outros aparelhos semelhantes) e com atividades administrativas burocratizadas. Os policiais, muitas vezes recebendo vencimentos insignificantes, seguem a sua sina, não raro com risco de vida. E, vez por outra, sofrem o desgaste político de notícias de corrupção ou de abuso de autoridade como o ultimo fato ocorrido na cidade de Novo Airão.

 

No entanto, não se faz boa Justiça Criminal sem uma Polícia estruturada, eficiente, bem remunerada, orgulhosa da sua condição. É verdade que o Ministério Público promove investigações criminais, com sucesso, por exemplo, nos crimes contra a ordem econômica. Todavia, isto ocorre em pequena quantidade de casos, até porque o MP tem outras inúmeras atividades.

 

De uns tempos para cá é normal ver gente apenas apontando os erros da Polícia. Essa generalização é uma injustiça e em nada ajuda na melhoria das coisas. Você pode ter restrições por um motivo ou outro qualquer, isso é normal, mas lembre-se que a maioria absoluta dos policiais arrisca a vida para impedir que seu filho se torne um viciado em crack ou que sua esposa seja feita refém em uma agência bancária. No atual momento, mais do que tudo, a sociedade e o governo precisam abraçar e apoiar e valorizar nossos policiais.

 

 

“Somente com uma Força de Segurança valorizada teremos uma sociedade segura” (Moacir Maia)

 

 

O autor é Bacharel em Direito, Especialista em Segurança Pública e Presidente 0745do SINPOL-AM.

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